Tocando em frente


Tocando em frente, reflexões sobre o caminho do ser humano e Deus.


Tocando em frente

Incrível como a vida se mostra um caminho!

E viver é percorrer esse caminho.

Caminhos repletos de ruas e esquinas.

Por vezes a Rua Felicidade faz esquina com a Rua Liberdade; a Ladeira da Dor é difícil, mas sempre nos leva acima; a da Ilusão é ladeira abaixo.

As ruas sempre as mesmas, mesmo em diferentes cidades.

Por vezes tudo se passa na metrópole da Realidade, outras vezes tudo se dá no campo do Sonho.

As cidades e seus contextos, as ruas e seus personagens: há o mendigo carente sempre esmolando, há o bandido medo sempre roubando, há a prostituta ilusão sempre seduzindo, há a policial sociedade sempre policiando, há tantos, tantos mais…

E o interessante é que todos que existem nas ruas também existem em mim.

Caminho e caminhante: mais que simbiose: um e, ao mesmo tempo, tantos.

Só Deus para conseguir fazer com que tudo seja assim!

Passeio na cidade pelas ruas em mim.

Passeio na cidade em mim pelas ruas da cidade.

Nas ruas cruzo comigo e com os outros.

Às vezes não noto os outros e nem a mim; às vezes dou esmola, em outras recebo algumas; às vezes seduzo, outras vezes sou seduzido; às vezes roubo, outras vezes sou roubado; por vezes me prendo, outras não.

Se viver é caminhar, então vou caminhar cantando:

Ando devagar

Porque já tive pressa.

Levo esse sorriso

Porque já chorei demais…


Vídeo: Renato Teixeira – Tocando em frente


É, o negócio é ir tocando em frente…

Mesmo porque atrás vem gente e pode ser até eu mesmo.

Buscar a si é tentar se encontrar para então se perceber que encontro só existe para mais de um afinal se é encontro não é de um só.

Tantos em mim e agora falta perceber que sou um no meio de todos, então a solidão a partir daí será sempre acompanhada.

Paradoxo tudo isso?

Que nada! É tudo simples demais! Por isso é que ainda não entendemos.

O negócio é ir caminhando…

Por vezes parando em algumas ruas e esquinas.

Ora adentrando bares e prostíbulos.

Ora assistindo um show e em outras sendo o próprio show. 

De vez em quando é bom ser notado pelos outros, mas importante mesmo é nunca deixar de ser visto por si mesmo.

Ah ! Há também sol, chuva e vento no caminho!

É aqui a hora de falar de Deus?

Não, ainda não!

Até forças naturais são apenas partes de ruas, cidades, o caminho.

São apenas contextos e sabe o que mais?

Contextos criados por nós mesmos e quando falo em nós refiro-me ao caminho e/ou caminhante: dias de sol, dias de chuva e demais “et caeteras” e tal.

Mas afinal, e Deus nisso tudo? Deus?

Bem, Deus é a força nas pernas e não dá para dizer: “E é só?”.

Não dá!

Deus é a razão de existir caminho e caminhante por que senão para que existiriam?

Rumo, direção, velocidade, tropeços e mais “et caeteras e tal” cabe a nós: caminho e/ou caminhante.

Tanto que depende de nós que por vezes fingimos que nem fazemos parte da cidade, mesmo da cidade em nós.

Fuga feita de ilusão.

O negócio é ir caminhando: devagar, divagar, rápido, ríspido, cantando música, contando passos…

Vamos andando!

Tocando em frente!

Até onde formos e até quando Deus quiser.

Opa! Aqui é que entra Deus!

Paulo Rogério da Motta


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