Soluço cósmico


Um estrondo ressoa no infinito.

Em meio ao buraco negro surge a luz.

Tempo e espaço são unidos.

Séculos de eternidade são apenas segundos de ano-luz.

 

Um cometa vem dos confins,

Enfim, tudo faz parte do espetáculo.

A turbulência espacial lembra mil motins.

O susto deixa o sol pálido.

 

Estilhaços de estrelas são lançados na eternidade.

Cadeias planetárias são abertas.

Tudo e todos percebem a lei da gravidade.

Fatal e linda a grande festa.

 

O Universo quase preste a aceitar o seu óbito

Vê chegar ao fim o balé cósmico

E a voz do Logos é então ouvida:

“-Acalmem-se, acabou o inoportuno!”

E continuam a vida.

Teve fim o soluço do Uno.

Paulo Rogério da Motta


Sugestão musical para a poesia

Enigma – Eppur Si Muove


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