O longo caminho até Você


Eu,

No chão do meu quarto,

Com emoções no coração,

Uma caneta na mão

E à procura de alguém.

Talvez seja eu mesmo,

Talvez você.

Não sei!

Só sei que quero viver,

Não quero minha cabeça em livros,

Minha vida em telas de tv

Ou em diálogos sem Deus com amigos.

Quero a mim

E a você.

Quero um nome

Mesmo que seja o meu

Mas junto do Teu

E que sejam sinônimos de Deus.

Quero meus olhos fechados

Sem o medo de sonhar,

Sem o medo de morrer

Sem ser feliz.

Quero um corpo ao meu lado

Fazendo-me voar,

Fazendo-nos andar

Por terras nunca antes pisadas,

Perambular por solos virgens

Situados somente em nós;

Sermos zen.

Morro de medo de morrer

Sem sequer viver.

Quero uma solidão

A dois.

Quero meu ouvido em teu peito,

Quero os teus seios,

Quero meu corpo deslizando no teu,

Quero teu ombro com a minha lágrima,

Quero minha língua em tua boca,

Quero que sofra

Por um dia pensar em nada mais existir.

Quero teu olhar assustado

Diante do que vou fazer.

Quero meu mundo para ti,

Ficar feliz,

Sorrir na hora do meu partir,

Satisfeito por ter vivido.

Feliz por morrer sem ser meu assassino.

Quero teu beijo molhado

Para esquecer meu rosto encharcado.

Quero viajar em ti

E ver o dia nascer em mim,

Presenciar o sol se por

Quando o dia se for

E então seus olhos fecharem.

Quero escutar teus gemidos de amor,

Quero sentir tua mão me procurando,

Quero me ver sussurrando,

Gemendo sem dor.

Quero esquecer

Que existe uma multidão ao meu lado,

Quero te ter

Sendo tido por você.

Quero a vida correndo diante dos meus olhos

Sem nenhum cidadão,

Sem carros,

Com meu destino estacionado

Em ser feliz.

Quero viver

Lucidamente embriagado no meu riso.

Quero te amar

No dia do juízo.

Quero ser palhaço

Para te ver sorrir.

Quero você pulando em meus braços,

Engolindo-me em teu abraço.

Quero o céu da tua boca

E sentar-me ao lado direito do Todo Poderoso.

 Quero teu corpo,

Quero um egoísmo a dois,

Sem depois,

Sempre com sempre.

Feliz a cada dia,

Cada ato,

Cada olhar,

Cada palavra.

Quero invadir teu templo,

Gritar aos teus deuses,

Consonar com o tempo

E dizer ao meu Deus

Que sou teu.

Quero que no dia em que o mundo estiver acabando

Ter o meu corpo se movimentando no teu.

Sem ti sou ateu,

Não por não acreditar em Deus,

Mas por sem ti,

Não poder vivenciar a Tua existência.

Quero você minha filosofia,

Minha ciência.

Quero você

Preenchendo as linhas dos meus versos,

Traçando as linhas do meu universo.

Quero o retrocesso

De cada momento feliz.

Quero tudo,

O tudo

E o tudo sem fim.

Quero viver assim:

Sempre acima das palavras,

Acima do sim e do não.

Quero viver

Pelo dom de ser,

De ter.

Quero a mim

E a você

Acima das leis,

Acima do medo,

Por cima do mundo.

Quero um alguém que não mente,

Que diga novamente

O que sempre foi dito.

Quero o teu perdão,

O teu pudor

E se eu puder

E como tudo pode

O teu sei lá o quê.

Quero você

E a mim.

Quero um amor de muitas vidas.

Quero ser singular.

Quero alguém como meu lar.

Quero o meu par

E no dia em que eu te ter

Poderei então morrer,

Mas ainda assim não irei,

Viverei.

Viverei para sempre,

Serei eterno para ti.

Falo em fim

Por ainda não ter conseguido viver.

Vivo no batente da morte,

Batendo em tua porta

E quero no dia em que ela me abrir a porta,

Escancarar o meu sorriso

E dizer-lhe “não”.

“- Não estou aqui porque morri,

“Estou aqui porque a vida não mais me quis,

Pois acabei com o seu estoque de ser feliz!”.

E tudo por ti

E por mim.

Sinto agora uma dor no peito.

Será a dor do fim?

Como eu queria agora

Ter a tua mão segurando a minha,

Mas não chegou a hora.

Um dia morrerei

E antes disso anseio por alguém que me diga:

“- Viva, eu te permito”.

A partir deste momento serei feliz.

Viverei a partir daí sem delito.

Viverei, enfim, longe do…

Finalmente fim.

Paulo Rogério da Motta


Sugestão musical para a poesia

Mandy Moore – Only hope



 

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