Dúbio


Levo meu corpo.

Deixo-o nas ruas.

Passeio vazio,

Incompleto

E sem Alma.

Ela fica contigo,

É sua.

Fica ao seu lado

Assistindo ao meu corpo,

Vendo que ele aprende pouco

Perto do que Você me ensina.

Vendo-o sôfrego,

Magoado

Por também querer ser seu

E então sermos Um,

Somente uma história,

Apenas um caminho,

Pois se não amo,

Inexisto

E assim Te Amo

Para poder existir.

Às vezes penso se quer.

Se quiser,

Tem.

Se não quiser,

Amo mesmo assim.

Somos dois,

Comigo três:

Eu,

Você

E eu.

Eu e eu,

Sempre à procura de Você,

Sempre para ti,

Sem chance de cura,

Para poder existir.

Tudo urgente,

Com e sem calma,

Alma sem corpo,

Corpo sem Alma,

Sem destino,

Com somente um sonho.

Sem ti sou fútil,

Dúbio.

Fujo em cotidianos.

Engano-me com enganos,

Digo não

E meu espelho diz sim.

Simplesmente amo

Sem descanso,

Ás vezes tenso,

Aí paro e penso.

Penso em um fim

E reinicio em Você.

Teimo.

Deito meu corpo no chão,

Minha alma assiste a minha solidão.

Queimo

E incendeia-se meu peito.

Deito minha alma no leito

E meu corpo espera a ressurreição.

Tática suicida,

Plano de vida,

Sina.

Respondo perguntas

Com perguntas

Sem interrogação.

Sou dúbio.

Sou amor e paixão,

Corpo e Alma,

Coração e razão

E tudo com “e”

E nada com “ou”.

Sou o que sou

Sem nunca ter sido.

Abismo-me com o abismo,

Caio no poço,

Durmo de dorso

E assim não encaro o peso do peito.

Rejeito outro corpo,

Só quero o seu

E o meu.

Sou dúbio,

Eu e eu,

Minotauro e Teseu,

Romeu sem Julieta,

Um escritor sem papel nem caneta,

Ápice sem cume.

Digo-me dou-te.

Unifico-me amando-te.

Dúbio,

Confuso e duvidoso.

Vivo

E morro

Com dor

E remorso

E na incerteza do enganoso

E sempre até lhe ter

Eu vivo como posso.

Paulo Rogério da Motta


Sugestão musical para a poesia

O Teatro Mágico – Você me bagunça


 

Deixe uma resposta