Mar


Mar bravio,

Mar calmo

Que há em mim.

Nadar a esmo

E afogar-me em mim.

Mas não há que se sobreviver,

Há apenas que se renascer.

Mar

Que mareia,

Que em ondas dança,

Que abriga sereia,

Que náufragos engole,

Que o horizonte alcança,

Que de tão salgado

Não nos permite o gole

Da vida que nele permeia.

Tomá-lo não como quem o bebe,

E sim sorvê-lo em preces

Àquele que a tudo concebe.

Emoções batem, vem, vão…

Ondas do mar-coração.

Em mim sou marinheiro de primeira viagem,

Em mim sou o capitão de todos os mares

E muitos em mim navegam,

Mas o sentido de tudo está em eu ser mar.

Em tua paragem

Hei sempre de navegar

E em teus recônditos

Hei sempre de me afogar

E ser carregado para a areia,

Eliminando-se o entulho do que é o ”não-ser”,

E retornando ao mar apenas o que me cabe ser.

Meus olhos atônitos

Não cansam de te olhar

E embalados pelo canto da sereia

Acabam por crer ao ver

Que para viver

É preciso pela vida estar apaixonado,

Ter a sede de se viver

Diante de um mar

Que se sabe ser salgado.

Paulo Rogério da Motta


Sugestão musical para a poesia

Marisa Monte e Cesária Évora – É doce morrer no mar


 

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