Andar, andar, andar…


Andar por caminhos que nem sei aonde vai dar.

Andar, andar, andar…

Paisagens desprezadas,

Olhos voltados ao chão,

Pernas cansadas,

Solidão,

Peregrinação…

O sol no céu,

Lágrimas sob véu,

Salgo o caminho,

Aridez em cada passo,

E a cada passo cada vez mais sozinho…

Dor nos pés descalços,

Caminho por saber que há uma direção,

Só não sei qual é!

Sigo na prece das batidas de um coração,

Mesmo que sem fé.

Um pé na frente do outro,

Sempre deixando um atrás.

O que segue à frente procura um encontro,

O que fica atrás não espera nada mais,

Mas a força das pernas impulsiona o caminhar

E mais do que nunca o caminho se faz ao andar.

Para aonde não sei!

Só o que sei

É que me resta caminhar.

Andar, andar, andar…

Há de haver um lugar a se chegar.

Paulo Rogério da Motta


  Vídeo Poesia



 

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