Palavras vazias


Palavras vazias não enchem um coração.

Letras tecem palavras, mas a beleza surge quando a alma é a fiandeira.

Trecho do livro “Nascer para sonhar”, de Paulo Rogério da Motta.


Palavras vazias


O pastor Tomé segue com seu sermão:

– A família é a base do amor; uma família sólida gera um amor firme; (vem em sua mente a imagem da esposa, falecida já há alguns anos; ele não lembra quantos) o amor é a expressão de Deus. O homem tem por dever amar e respeitar a família, pois assim, estará respeitando também a Deus. O amor à família é sagrado (lembra-se finalmente que hoje é o aniversário do seu único filho) e só pode ser menor do que o amor a Deus, pois assim está escrito em Mateus 10, versículos 37 a 39:

Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz, e vem após mim, não é digno de mim.

– Irmãos! Está escrito e assim é (pensa consigo que o esquecimento do aniversário do único filho é irrelevante, afinal comemorar aniversários não tem importância alguma se comparados com a grandeza de levar a palavra de Deus). – Aleluia irmãos!

– Aleluia! – Diz a igreja em uníssono.

O fiel que fora à igreja à tarde folheia distraidamente a sua bíblia e ao acaso abre em Samuel 16 e lê o versículo 7:

Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei, porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.

O fiel leva os olhos da bíblia para o pastor discursando à sua frente, ouve a voz do seu coração, levanta-se e sai.

Palavras vazias não enchem um coração.


Deixe uma resposta