O beijo perdido


Lembro-me agora

De um beijo perdido no tempo;

Tão sagrado e sem hora

E finito por ser momento.

 

Um beijo roubado através de um olhar.

Um breve instante de deuses.

Tão sufocante quanto a falta de ar

De quem não respira a meses.

 

Sua língua em meu céu,

Nosso céu em nosso presente,

Repentes sem véu

De quem se esconde e mente.

 

Um beijo perdido por não ser mais achado

Que será rotulado de lembrança,

Morto e sufocado

E assassinado junto com a esperança.

 

Dois corpos que não serão juntados

Por não conseguirem um meio;

Duas camas em dois quartos.

Um meio e dois quartos que não faz um inteiro.

 

Vidas ofertadas ao cotidiano

Que tirano, ri pela vitória.

Dois seres que não se amam

Pelo medo de escrever a história.

 

Desprezam o amor,

Injuriam a Deus,

Rogam-Lhe em seus momentos de dor

As suas lamúrias de ateus.

 

Paulo Rogério da Motta


Sugestão musical para a poesia

Lil Wayne – Mirror ft. Bruno Mars


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